domingo, 6 de novembro de 2011

Mídia-educação/Alfabetização midiática: As mídias como um novo dispositivo educacional

Alunas : Fernanda Ubeda, Laura Conti, Laura Loiola e Larissa Souza.


Mídia-educação/Alfabetização midiática: As mídias como um novo dispositivo educacional

Laura Conti*

As mídias hoje não só mediam nossas formas de socialização e transmissões simbólicas, mas também agem como objetos importantes nas nossas práticas socioculturais, principalmente nas construções de significados e da nossa percepção de mundo.

É perante este contexto, que a Mídia-Educação surge como um importante dispositivo educacional, cujos principais objetivos são contribuir para que a sociedade da informação seja participativa, plural e inclusiva. Pensando nas tendências atuais, e principalmente nos papéis da escola diante deste cenário do qual as mídias estão onipresentes, que procuraremos esclarecer melhor sobre os princípios da alfabetização midiática.

A Mídia-Educação é considerada um campo de estudos relativamente atual, que segundo Bévert e Belloni (2009), tem muitas dificuldades para se consolidar. Dentre as principais dificuldades, as autoras colocam como a mais relevante a sua pouca importância na formação inicial e continuada de professores e, a esta dificuldade maior, também outros obstáculos se inserem como relevantes:

i) a ausência de preocupação com a formação das novas gerações para a apropriação crítica e produtiva das novas tecnologias da informação e comunicação (TIC); ii) indefinição de políticas públicas e insuficiência de recursos para ações e pesquisas; iii) confusões conceituais, práticas inadequadas, ‘receitas prontas’ para a sala de aula, em lugar da reflexão sobre o tema na formação de educadores; iv) influências de abordagens baseadas nos efeitos negativos das mídias que tendem a baní-las da educação, em lugar da compreensão das implicações sociais ,culturais, educacionais; v) integração das TIC à escola de modo meramente instrumental, sem a reflexão sobre mensagens e contexto de produção. (BÉVERT e BELLONI, 2009, p. 1083).

Ainda segundo as autoras, a Mídia-Educação é um campo ambivalente na medida em que aborda conhecimentos teóricos e práticos exigindo para sua compreensão abordagens interdisciplinares. É também um campo técnico de mediação essencial nas vidas das novas gerações, visto que crianças e jovens estão cada vez mais envolvidos e inseridos na sociedade da informação. Desta maneira, as mídias, ou melhor, os dispositivos comunicacionais das tecnologias da informação e comunicação (TICs) é um grande concorrente da escola e da família, mesmo agindo de modo desigual, seja real ou virtual.

As TICs, integradas na formação de crianças e jovens no âmbito escolar, têm como importante função contribuir para que esta concorrência seja “saudável” do ponto de vista da educação crítica, menos desigual e eficiente na formação de indivíduos competentes.

A recepção e produção crítica para a mídia devidamente tratada dentro do ambiente escolar traz inúmeras contribuições, principalmente no encaminhamento de respostas que possam ser válidas ao desenvolvimento do consumo cultural reflexivo, questionador e educativo, que implica de forma direta na construção de uma sociedade cidadã.

Olhar criteriosamente todas as mídias significa, na área da educação, abrir espaços para um novo método de ensinar a analisar e a levantar hipóteses que remete a que o trabalho educativo nas escolas se direcione para a chamada alfabetização midiática.

Neste século são estes os encaminhamentos da educação, do mesmo jeito que não podemos fazer que nossa prática seja pautada unicamente no passado, também não podemos pensar que a alfabetização midiática deva se iniciar no Ensino Superior, ou na Educação Infantil e depois durante Ensino Fundamental e Médio se prevaleça o ensino conteudista. É preciso um processo de ensino. É importante que as crianças e jovens possam expressar suas idéias, e quando não são estimuladas para tal, o mais comum é que elas não saibam o que fazer se perdem e se calam frente a uma questão em que seja prioridade dar a sua opinião.

Pensar novas possibilidades, fazer a nossa história, este é o ponto, não deixar que isso morra é essencial, é disso que falamos, fazer dos desconfortos visíveis, até mesmo das subjetividades, é este espaço que as novas gerações precisam, falo de espaço porque as crianças e jovens hoje já tem a postura de se expressar, de interessar pelo novo, pelo desafio, o que falta é espaço nas aulas, e responsável por este espaço somos nós os professores, ou educadores e melhor ainda: os mediadores do saber.

*Discente do curso de Pedagogia da PUC-MG, campus Poços de Caldas (texto parte de monografia)

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