A obra Como as Crianças Vêem a Cidade é uma aventura desafiadora, pois são abordados aspectos polêmicos sobre a realidade do Rio de Janeiro, tendo em vista o olhar infantil. Através dessa perspectiva, observa-se a importância e pertinência do trabalho desenvolvido nas escolas cariocas, oportunizando demonstrar a forma como as crianças sentem e pensam o mundo, e suas expressões diante à realidade. Com essa iniciativa as crianças puderam expressar-se livremente por meio de cartas e desenhos, seus sentimentos de satisfação e angústia, desejos e reivindicações, enfim, seus pontos de vista em relação à sua cidade e aos diversos fatores que fazem parte ou influenciam seu modo de vida.O material recolhido abrangeu situações citadinas como um todo. Foram abordadas questões como violência e poluição, problemas e alegrias que existem na cidade, considerando desde a casa, até as ruas, os bairros e o centro.Tendo em vista o quadro degradante em que se encontram a maior parte da população das cidades brasileiras, considerando violência e criminalidade, desemprego, precariedade nas áreas da saúde e educação, entre outros problemas sociais que influenciam a vida das pessoas, observa-se que os aspectos que aqui serão mencionados terão foco no Rio de Janeiro.Verifica-se que as primeiras experiências, positivas ou negativas, as quais são vivenciadas pelas crianças, em relação à moralidade, respeito, afetividade e outros aspectos ligados a condições socioeconômicas, ocorrem dentro do próprio âmbito familiar. O autor levanta um questionamento quanto a uma possível “ausência” da violência em determinados locais ou contra determinadas pessoas, tratando-se de crianças e idosos. Hoje em dia, vê-se que as escolas têm sido o alvo principal de violências, onde aparecem também as drogas. Verifica-se que muitas dessas práticas de violência são dos próprios alunos, devido a questões de preconceito, regras e valores moldados pela sociedade.Aparece ainda nos escritos das crianças, uma questão que envolve a mídia, em que dizem que os jornais fazem muito alarme para se tratarem desses tipos de situações polêmicas. Vê-se então que o clima de medo tem a ver em grande parte, com a quantidade de espaço e o tom emocional que os meios de comunicação dedicam a esses temas.Percebe-se assim, que a influência dos meios de comunicação e das tecnologias sobre crianças e adolescentes tem sido cada vez mais, alvo de preocupação, considerando que imagens e discursos podem banalizar, dramatizar e espetacularizar a violência, dependendo do contexto. Além da indução ao “TER”, em que vê-se explícita a questão do consumismo, que se posiciona em primeiro plano, fazendo com que o “SER” fique esquecido. Assim, as crianças amadurecem uma idéia de que a importância está no que se “tem”, nos bens materiais, e não no que se “é”, seus atos e pensamentos. Dessa maneira verifica-se que a mídia, na maioria das vezes, transmite o que lhe é conveniente. Sendo assim, reconhece-se a importância e o desafio da educação para se pensar essa questão, para que sejam formados cidadãos com senso crítico. Pensando em questões como essa, vê-se com mais nitidez, o papel fundamental da educação. Faz-nos pensar numa educação diferenciada, que tenha significado e seja capaz de instigar jovens e crianças a questionar a realidade em que vivem e as transformações que surgem a cada dia.A própria concepção de infância vem se transformando ao longo dos tempos, apresentando-se de forma diferenciada mesmo dentro de uma mesma sociedade e época. Assim, é possível que em uma mesma cidade existam diferentes maneiras de se considerar as crianças dependendo da classe social a qual pertençam, da cultura a qual fazem parte. Uma grande parte das crianças brasileiras enfrenta um cotidiano desfavorável, se deparando desde muito cedo com o trabalho infantil, o abuso e a exploração por parte de adultos. Enquanto outras crianças são protegidas de todas as maneiras, recebendo de suas famílias e da sociedade em geral todos os cuidados necessários ao seu desenvolvimento. Essa dualidade revela a contradição e a nítida presença da desigualdade social presente no cotidiano.Partimos do princípio de que o mundo atual apresenta questões complexas, cuja compreensão pode ser promovida por meio da aprendizagem dos conteúdos trabalhados na escola. Considerando dessa maneira, a importância de se trabalhar a interdisciplinaridade e a partir dos temas transversais que tem como um de seus objetivos, promover a ampliação do conhecimento dos alunos a respeito de temas de crucial importância para a realidade brasileira, mundial e de seu próprio cotidiano.Assim, fica clara a necessidade de formar cidadãos mais conscientes e participativos, aptos a analisar e pensar a realidade de vários pontos de vista. E que ele possa exercer a cidadania, cumprindo um papel transformador e construtivo. Esquecendo-se momentaneamente os problemas até então abordados, verifica-se que nos trabalhos das crianças também apareceram pontos positivos da cidade, mostrando suas belezas, como as paisagens naturais, praias, montanhas verdes, e seus mais famosos pontos de referência, o Corcovado com o Cristo Redentor; o Pão de Açúcar, entre outros. Tudo isso mediante a proposta da confecção de um cartão postal, em que as crianças deveriam desenhar e endereçar a um amigo, baseando-se em paisagens de seu bairro ou cidade.Embora a predominância dos cartões tenha sido com imagens bonitas e agradáveis apareceram aquelas crianças que retrataram em seus desenhos, aspectos desfavoráveis, mostrando o que a cidade tem de feio ou mal organizado. Mas mesmo assim, as crianças não deixam de justificar que mesmo com a existência desses aspectos negativos, a cidade não perde sua beleza. Tendo em vista os aspectos analisados, verifica-se a importância desta obra, que permite refletirmos sobre nosso modo de pensar e agir perante nossa realidade. A obra aponta o problema que se verifica nos últimos tempos, o acelerado processo de mudança que a sociedade vem sofrendo, em que ainda observa-se a existência de um despreparo por parte da mesma, sendo as crianças, dessa maneira, as mais prejudicadas no processo. Além disso, verifica-se que os adultos quase sempre desconsideram as opiniões de crianças e de adolescentes. Em geral, atribuem a eles a imaturidade e a falta de conhecimento sobre a vida, mas este trabalho veio demonstrar o contrário, de forma surpreendente observou-se como as crianças e adolescentes dedicam sua atenção e opinam de forma coerente em relação às questões da sociedade urbana, da qual fazem parte.Assim, reconhece-se a importância da obra para uma reflexão sociológica e consciente diante os problemas urbanos os quais vivenciamos, contribuindo com seu rico conteúdo para que nós, futuros educadores possamos repensar a educação, de forma pertinente e consciente. sábado, 22 de outubro de 2011
A obra Como as Crianças Vêem a Cidade é uma aventura desafiadora, pois são abordados aspectos polêmicos sobre a realidade do Rio de Janeiro, tendo em vista o olhar infantil. Através dessa perspectiva, observa-se a importância e pertinência do trabalho desenvolvido nas escolas cariocas, oportunizando demonstrar a forma como as crianças sentem e pensam o mundo, e suas expressões diante à realidade. Com essa iniciativa as crianças puderam expressar-se livremente por meio de cartas e desenhos, seus sentimentos de satisfação e angústia, desejos e reivindicações, enfim, seus pontos de vista em relação à sua cidade e aos diversos fatores que fazem parte ou influenciam seu modo de vida.O material recolhido abrangeu situações citadinas como um todo. Foram abordadas questões como violência e poluição, problemas e alegrias que existem na cidade, considerando desde a casa, até as ruas, os bairros e o centro.Tendo em vista o quadro degradante em que se encontram a maior parte da população das cidades brasileiras, considerando violência e criminalidade, desemprego, precariedade nas áreas da saúde e educação, entre outros problemas sociais que influenciam a vida das pessoas, observa-se que os aspectos que aqui serão mencionados terão foco no Rio de Janeiro.Verifica-se que as primeiras experiências, positivas ou negativas, as quais são vivenciadas pelas crianças, em relação à moralidade, respeito, afetividade e outros aspectos ligados a condições socioeconômicas, ocorrem dentro do próprio âmbito familiar. O autor levanta um questionamento quanto a uma possível “ausência” da violência em determinados locais ou contra determinadas pessoas, tratando-se de crianças e idosos. Hoje em dia, vê-se que as escolas têm sido o alvo principal de violências, onde aparecem também as drogas. Verifica-se que muitas dessas práticas de violência são dos próprios alunos, devido a questões de preconceito, regras e valores moldados pela sociedade.Aparece ainda nos escritos das crianças, uma questão que envolve a mídia, em que dizem que os jornais fazem muito alarme para se tratarem desses tipos de situações polêmicas. Vê-se então que o clima de medo tem a ver em grande parte, com a quantidade de espaço e o tom emocional que os meios de comunicação dedicam a esses temas.Percebe-se assim, que a influência dos meios de comunicação e das tecnologias sobre crianças e adolescentes tem sido cada vez mais, alvo de preocupação, considerando que imagens e discursos podem banalizar, dramatizar e espetacularizar a violência, dependendo do contexto. Além da indução ao “TER”, em que vê-se explícita a questão do consumismo, que se posiciona em primeiro plano, fazendo com que o “SER” fique esquecido. Assim, as crianças amadurecem uma idéia de que a importância está no que se “tem”, nos bens materiais, e não no que se “é”, seus atos e pensamentos. Dessa maneira verifica-se que a mídia, na maioria das vezes, transmite o que lhe é conveniente. Sendo assim, reconhece-se a importância e o desafio da educação para se pensar essa questão, para que sejam formados cidadãos com senso crítico. Pensando em questões como essa, vê-se com mais nitidez, o papel fundamental da educação. Faz-nos pensar numa educação diferenciada, que tenha significado e seja capaz de instigar jovens e crianças a questionar a realidade em que vivem e as transformações que surgem a cada dia.A própria concepção de infância vem se transformando ao longo dos tempos, apresentando-se de forma diferenciada mesmo dentro de uma mesma sociedade e época. Assim, é possível que em uma mesma cidade existam diferentes maneiras de se considerar as crianças dependendo da classe social a qual pertençam, da cultura a qual fazem parte. Uma grande parte das crianças brasileiras enfrenta um cotidiano desfavorável, se deparando desde muito cedo com o trabalho infantil, o abuso e a exploração por parte de adultos. Enquanto outras crianças são protegidas de todas as maneiras, recebendo de suas famílias e da sociedade em geral todos os cuidados necessários ao seu desenvolvimento. Essa dualidade revela a contradição e a nítida presença da desigualdade social presente no cotidiano.Partimos do princípio de que o mundo atual apresenta questões complexas, cuja compreensão pode ser promovida por meio da aprendizagem dos conteúdos trabalhados na escola. Considerando dessa maneira, a importância de se trabalhar a interdisciplinaridade e a partir dos temas transversais que tem como um de seus objetivos, promover a ampliação do conhecimento dos alunos a respeito de temas de crucial importância para a realidade brasileira, mundial e de seu próprio cotidiano.Assim, fica clara a necessidade de formar cidadãos mais conscientes e participativos, aptos a analisar e pensar a realidade de vários pontos de vista. E que ele possa exercer a cidadania, cumprindo um papel transformador e construtivo. Esquecendo-se momentaneamente os problemas até então abordados, verifica-se que nos trabalhos das crianças também apareceram pontos positivos da cidade, mostrando suas belezas, como as paisagens naturais, praias, montanhas verdes, e seus mais famosos pontos de referência, o Corcovado com o Cristo Redentor; o Pão de Açúcar, entre outros. Tudo isso mediante a proposta da confecção de um cartão postal, em que as crianças deveriam desenhar e endereçar a um amigo, baseando-se em paisagens de seu bairro ou cidade.Embora a predominância dos cartões tenha sido com imagens bonitas e agradáveis apareceram aquelas crianças que retrataram em seus desenhos, aspectos desfavoráveis, mostrando o que a cidade tem de feio ou mal organizado. Mas mesmo assim, as crianças não deixam de justificar que mesmo com a existência desses aspectos negativos, a cidade não perde sua beleza. Tendo em vista os aspectos analisados, verifica-se a importância desta obra, que permite refletirmos sobre nosso modo de pensar e agir perante nossa realidade. A obra aponta o problema que se verifica nos últimos tempos, o acelerado processo de mudança que a sociedade vem sofrendo, em que ainda observa-se a existência de um despreparo por parte da mesma, sendo as crianças, dessa maneira, as mais prejudicadas no processo. Além disso, verifica-se que os adultos quase sempre desconsideram as opiniões de crianças e de adolescentes. Em geral, atribuem a eles a imaturidade e a falta de conhecimento sobre a vida, mas este trabalho veio demonstrar o contrário, de forma surpreendente observou-se como as crianças e adolescentes dedicam sua atenção e opinam de forma coerente em relação às questões da sociedade urbana, da qual fazem parte.Assim, reconhece-se a importância da obra para uma reflexão sociológica e consciente diante os problemas urbanos os quais vivenciamos, contribuindo com seu rico conteúdo para que nós, futuros educadores possamos repensar a educação, de forma pertinente e consciente.
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